O mundo não bastava
Desde cedo, eu carregava uma energia difícil de conter. Um olhar curioso demais para o mundo, uma inquietação que não se satisfazia com as respostas prontas. Era como se existissem camadas invisíveis sob a superfície das coisas — e eu sabia, mesmo sem saber, que precisava atravessá-las. Na infância, tudo era impulso criativo. Os desenhos, as construções, as invenções… cada gesto nascia de um sonho complexo e colorido. Mas ao redor, o mundo parecia estreito. Os caminhos que me apontavam pareciam engessados, quadrados demais pra alguém feito de curvas e desvios. Cresci com a sensação de que as formas tradicionais de viver não me bastavam.
Sentia que havia algo fora do lugar, e esse estranhamento, aos poucos, se transformou em coragem — uma bravura silenciosa que me fazia questionar tudo e buscar outras formas de existir. Era um inconformismo artístico, mas também um desejo profundo de autenticidade. Foi essa energia, meio bruta, meio sensível, que me empurrou rumo ao desconhecido. E mesmo sem um mapa claro, comecei a caminhar.







